BREXIT: QUE IMPACTOS NO TURISMO BRITÂNICO?

O clima de incerteza que paira em torno do possível acordo sobre o “Brexit” tem alertado a industria turística para os impactos que poderão ser gerados.

Considerando que os britânicos são mercado-alvo para grande parte dos destinos europeus, importa conhecer algumas mudanças que poderão ser implementadas numa situação de não acordo.

  1. Aumento do turismo interno no Reino Unido

Não sendo alcançado o acordo com a União Europeia para viajar para os países do espaço Schengen, os britânicos serão obrigados a solicitar a emissão de um Visa Schengen (um passaporte que permite viajar durante 90 dias nestes países). Este documento tem um custo de emissão de 52 libras por pessoa.

Segundo um estudo apresentado no World Travel Market London 2018, 58% dos britânicos ponderam a escolha de destinos não tradicionais, para evitar o pagamento do Visa Schengen.

A burocracia, aliada ao custo extra por pessoa, poderá pesar no momento de decisão, estimulando o turismo interno no Reino Unido.

  1. “O lado positivo” da desvalorização da libra

A constante incerteza sobre o futuro do Reino Unido tem afetado diretamente o valor da libra face ao Euro e ao Dólar, verificando-se ligeiras desvalorizações nos últimos meses.

Esse efeito, a manter-se, poderá gerar atratividade nos residentes na União Europeia para viajarem para o Reino Unido, uma vez que ganham poder de compra, aumentando, assim, os fluxos turísticos na região.

  1. A “fuga” de empresas-chave: Easyjet Europe

No ano de 2017, a Easyjet (companhia aérea low-costbritânica) constituiu uma nova empresa denominada “Easyjet Europe”, com sede em Viena, na Áustria.

Esta nova opção permite à companhia aérea manter as suas operações na União Europeia, tendo assim acesso a um Certificado de Operador Aéreo que permita continuar a operar voos dentro e fora dos países da União Europeia e nos Estados Unidos.

Importa realçar que esta “táctica” já foi utilizada pela Easyjet em 1999, quando criou a Easyjet Switzerland. Desse modo, a companhia conseguiu viajar para os aeroportos suíços, algo que mantém até hoje.

A mesma lógica está a ser utilizada por muitas marcas britânicas, criando novas empresas sediadas noutros países, gerando, assim, benefícios fiscais nos locais de acolhimento.

  1. O crescimento de “novos” destinos

Face ao impasse nas negociações, vários países não pertencentes à União Europeia têm investido bastante, com o intuito de atrair o mercado britânico.

A Turquia, a Jordânia, o Irão, os Emirados Árabes Unidos e a Tunísia são alguns dos países que mais apostam no pós-brexit, através de campanhas promocionais segmentadas. Já neste ano, verificaram-se aumentos consideráveis no número de turistas que viajaram para estes destinos.

O futuro da dinâmica turística na União Europeia e no Reino Unido ainda levanta diversas questões. Embora seja expectável que o acordo seja alcançado nas próximas semanas, as repercussões vão, por certo, moldar a forma de atuar das organizações, desde o planeamento turístico até à comercialização de serviços.

Em tempos de incerteza, o correto posicionamento estratégico e a constante monitorização do mercado são as principais garantias dos destinos para manterem o crescimento sustentável.

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